>"Cultura geral: tudo o que se deve saber" ou: guia prático para se tornar um PIMBA

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Primeiramente, esclarecendo o que é PIMBA. É uma sigla, na verdade: P.I.M.B.A. -> Pseudo Intelectual Metido a Besta e Arrogante. Auto – explicativo: é o sujeito que tem um imenso desejo de parecer intelectual, mais do que ser um. É aquela pessoa simpática que fica esnobando todo e qualquer conhecimento “culto” que tenha – por culto, aqui, entenda-se tudo o que é aprovado por críticos e acadêmicos de forma quase unânime. Só a “alta cultura” – os clássicos literários, cinematográficos, musicais, etc – interessa aos PIMBA. O que povão produz e consome não interessa a estes espécimes. Podem até se interessar por cultura pop e popular, mas não gostam de espalhar que gostam por não serem “sofisticadas” e “cultas”. E, muito importante: um PIMBA sempre, necessariamente, fala de seus pretensos conhecimentos. Um PIMBA nunca vai admitir não gostar de algo consagrado. E vai se envergonhar por não conhecer esta ou aquela obra. Enfim, uma raça irritante.
Estava eu lendo tranquilamente meus feeds do Google Reader quando me deparo com uma notícia da Folha sobre os livros mais comentados desta semana. Um dos livros era justamente esse: Cultura geral: tudo o que se deve saber, do filólogo e historiador alemão Dietrich Schwanitz. A capa do livro, linda, me chamou atenção. Fui conferir os textos da Folha sobre o dito livro. Salvo engano meu, ele se mostrou um guia de cerca de 500 páginas de como ser um PIMBA.
Pra começar, o livro começa com a definição do que uma pessoa, pra ser respeitavelmente culta, não pode conhecer: futebol, televisão (a não ser programas de debates e afins), revistas femininas e etcs. Sim, e a Folha disponibilizou o trecho em que ele escreve isso aqui.Lendo, rezei para que fosse um texto irônico, mas não: a pessoa culta não pode gostar de nada que seja popular, ou deve esconder que tem esses conhecimentos na bagagem (não falei? PIMBA perfeito). Mas não, não é ironia: procurando pelo autor no Google, vi trechos de admiradores… todos PIMBA, lógico. É como um Diogo Mainardi alemão: não, isso não pode ser sério -> não, isso não é sério -> é, uma mente humana produziu isso.
Seguindo o livro, o que uma pessoa tem que saber: lições de história, filosofia, ciências….:

O autor inicia a retrospectiva no chamado berço da civilização ocidental, a Grécia Antiga, com seus mitos e deuses, e que teve nos textos da “Ilíada” e da “Odisseia” o seu principal registro escrito. Do mesmo modo, é dedicada uma atenção especial à Bíblia e à influência que também este texto e os costumes de seus seguidores tiveram no desenvolvimento da cultura e do pensamento europeus.

Divulgação
Livro apresenta “tudo o que se deve saber” sobre cultura geral

Além de fazer uma breve recapitulação de cada período histórico, da Antiguidade aos anos 2000, são apresentados os principais escritores e as suas obras mais marcantes. Clássicos absolutos, como “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, “As Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift, “Os Irmãos Karamázov”, de Fiódor Dostoiévski, e “Ulisses”, de James Joyce, entre outras, merecem destaque específico.

Grandes pensadores, de Descartes a Heidegger, passando por Rousseau e Hegel, também merecem seções próprias, onde se explica, de maneira acessível e concisa, o pensamento e a influência que tiveram na sociedade. As ideias de Karl Marx, de Sigmund Freud, da Escola de Frankfurt e mesmo de Albert Einstein não ficam de fora e também merecem uma análise mais detalhada.
Diferentemente da tradicional bibliografia que as publicações “sérias” costumam trazer, Schwanitz optou por apresentar duas listas: uma com “livros que mudaram o mundo” e outra com sugestões de leituras, recomendadas por oferecer panoramas consistentes e mais específicos em cada área.

Fonte: Livraria da Folha, 8/02/2010

Como se pode ver pela citação, um apanhado da cultura e histórias civilizadas – quer dizer, européias (que é o que PIMBAs conhecem, ou falam conhecer: cultura européia). Além de ser etnocêntrico e PIMBA, é bem óbvio: não se precisa gastar quase R$100,00 de uma tacada pra se ter uma base de referências que se tem ao longo de anos de interesse legítimo, e não forçado. Sou mais gastar esse dinheiro com livros realmente interessantes… e se um PIMBA me perguntar, talvez até gaste este mesmo dinheiro com… cultura pop!!

Enfim, nada recomendado, a não ser como guia para pimbice. E dá licença que vou ali ler meu álbum do Batman que ainda não li…

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7 comentários em “>"Cultura geral: tudo o que se deve saber" ou: guia prático para se tornar um PIMBA

  1. >o que mais há são pimbas por ai, não concordo com a ideia de que para ser culto seja necessário abstrair um tanto de coisas populares. acho hipocrisia criticar algo abertamente e no seu íntimo apreciar o que foi motivo de 'acusações'.

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  2. >Mas esse é o melhor tipo de humor, o involuntário. O autor provavelmente nem sabe o que é um "PIMBA", ou que ele é um PIMBA. O que é ótimo, porque se soubesse o livro não seria escrito da mesma forma. Talvez até tivesse uma nota introdutória sobre como essa sigla é apenas um reflexo da decadência da cultura ocidental, e, logo em seguida, justificando como aquele livro NÃO é PIMBA.

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  3. >Amei! Além de conhecer uma nova classe de pessoas (os pimbas), fico aliviada em escapar de mais um rótulo desagradável.Gostaria apenas de ressaltar que ser culto é, antes de tudo, estar atento e se relacionar com a diversas culturas, sobretudo as que incorrem em mudanças no comportamento humano através dos tempos.Beijos da tia cada vez mais fã.Cecilia Rangel

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  4. >Báh carambolas carambolantes… esse cara é o PIMBA mor! E além disso é sectário! Eo que é aquele capítulo disponibilizado pela Folha?! E sabe o que mais irrita? É que ele admite que se vejam os programas televisivos proibidos, que se leiam os textos proibidos, mas desde que se esconda bem, blerghhhh pra esse pseudo intelectual que nem ao mesmo conhece o siginificado etimológico da palavra!Adorei o post!estrelinhas coloridas…

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  5. >hahaha… gostei de saber o que é um PIMBA, realmente há de montes por aí, o livro seria interessante sendo somente um apanhado de recomendações, ainda que um pouco clichê já que esse tipo de obra anda despencando por aí.

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