>Homossexualidade, preconceito e revista feminina adolescente

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Antes de mais nada, um breve esclarecimento: sou hetero e feliz com a minha “opção”. Mas quanto mais amigos meus saem do armário e consequentemente conheço mais homossexuais mais a minha posição quase militante pela causa se afirma. Dando um exemplo: uma grande amiga se descobriu homo há um tempinho, e está bem consigo mesma como não estava antes de “sair do armário”. Acompanhei todo o processo, somos amigas há muitos anos. A felicidade dela com a sua sexualidade é linda (até aturo ela falando de mulher de vez em quando, apesar de não gostar muito de ficar comentando bunda de mulher), e nada nem ninguém vai me convencer que ela estaria melhor procurando relaciomentos e sexo com homens. Essa minha amiga é o meu exemplo mais próximo, mas vejo em outros bissexuais e homossexuais o mesmo: estão felizes como não estariam de forma alguma se tentassem ser heteros.
Findo o prólogo, o assunto propriamente dito do post: estava eu tuitando hoje de manhã quando recebo um tuito divulgando esse artigo no Observatório da Imprensa: Capricho – Lições de mulherzinha. Resumindo o conteúdo do mesmo, faz-se uma crítica ao conteúdo da revista direcionado para a educação sexual (educação mesmo, já que o público alvo é o adolescente). Fernando Barros defende o argumento de que a revista é conservadora, ao endossar estereótipos de feminino e masculino – como o de que meninos gostam de jogar bola e meninas de maquiagem. Além de reforçar esse estereótipo, a revista trabalha com as meninas dessa idade como se nenhuma delas tivesse dúvida acerca da sua sexualidade: todos os artigos que tratam deste assunto têm como tema a relação heterossexual, sem espaço para dúvidas, para a existência de lesbianismo, de bissexualismo, sem nenhum incentivo à diversidade.
Daí resolvi comentar (os trechos grifados são acréscimos para este post):
Homossexualidade não é perversidade, é apenas outra forma de se relacionar com o sexo. De forma alguma pode ser comparado à tentar “conquistar” o professor para ter uma boa nota. [como insinuaram num comentário acima do meu]. 
Concordo com o argumento presente no artigo de que essas revistas adolescentes (sim, fui leitora delas) reforçam o estereótipo de feminino e masculino, não abrindo muitas possibilidades para que hajam outras vias. E não estou aqui falando de homens com maneiras de mulher e mulheres com maneiras de homem: masculinidade e feminilidade vai além disso. Existem mulheres hetero e femininas (como eu) que gostam de futebol e homens heteros e viris que gostam e entendem de moda (conheço exemplos). E são modelos que não aparecem nessas revistas. [eu por exemplo não estou nessas revistas: sou curta e grossa, sei as regras do futebol, acompanho, gosto de tecnologia, de rock pesado].
Claro que a maioria do público dessas revistas é hetero, ou se imagina assim.Claro que, como a garota do comentário acima disse, se a revista tivesse como capa “como conquistar aquelA fofA” ela não venderia. Mas isso não exclui a possibilidade de aparecimento de reportagens esparsas sobre a questão de dúvida de sexualidade, mais comum aos adolescentes do que supõe muitas garotas leitoras da Capricho, ou de qualquer outra revista do tipo. Então a presença de matérias desse tipo, de matérias contra o preconceito seriam realmente positivas, e educativas. E poderiam ajudar a diminuir o problema de bullying contra meninos e meninas que fogem aos estereótipos [e/ou que já se definiram].
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