Orgulho e Preconceito, apaixonando há 200 anos

orgulho e preconceito -Penguin_cia das letrasMinha adorada edição em português, com mais de 100 páginas de extras Coração vermelho

 

Ontem foi o aniversário de 200 anos do lançamento de um dos meus livros preferidos: Orgulho e Preconceito, da Jane Austen. Não posso deixar o aniversário em branco, mas e a inspiração? Ralinha, coitada.  Peço de antemão desculpa a quem for ler pelo texto pouco estruturado.

Não lembro há quanto tempo li pela primeira vez. Possivelmente uns oito anos, logo depois do lançamento do filme em que Keira Knightley interpreta a protagonista. Gostei muito do filme, comprei logo um pocket para conferir a história. Li em pouco mais do que um dia. Devorei mesmo. Detratores de “literatura feminina” podem dizer que o que faz as mulheres gostarem tanto de Jane Austen é o fato de ser romance, com previsível final feliz. Mas não foi isso que mais me atraiu. Como boa noveleira que sou, confesso que o aspecto antecessor dos folhetins me atraiu sim. Mas se a obra se limitasse a isso, eu não tinha me apaixonado.

Muitas “se apaixonam” pelo Mr. Darcy – eu inclusive. Aos desavisados, ele está longe de ser um mocinho agradável do início ao fim do romance. Aliás, não é pela doçura dele ou pela simpatia que nos apaixonamos – até porque a doçura ele esconde e a simpatia é inexistente. O que apaixona no Mr. Darcy é o caráter, a vontade de ser entendido, o fazer bem por fazer bem e não para se exibir. A capacidade de perceber além de uma aparência à primeira vista não muito agradável, de observar corretamente as qualidades de uma mulher.

Uma mulher à altura de tal homem, aliás. Inteligente, sarcástica, observadora e amorosa. Preconceituosa, a princípio, mas capaz de se render aos fatos e perceber que seus preconceitos eram infundados. Incapaz de se subordinar a uma situação que a ferisse mortalmente. E estamos falando de uma heroína da virada do século XVIII para o XIX, em que mulheres não tinham muitas condições de escolher.

O romance me apaixonou não apenas pelo seu casal de protagonistas, mas pelo sarcasmo implacável para com a sociedade rural inglesa da virada do século. A pequena e a grande aristocracia inglesas são igualmente alvos do olhar irônico da autora. Filha de pastor, nem o clero anglicano escapa à sua pena ferina. Sociedade, aliás, que conheceu internamente, por meio de sua família. Sua condição de vida se assemelhou muito à de suas protagonistas menos abastadas. Não tendo se casado, ficou na dependência do irmão até morrer.

Orgulho e Preconceito vale a leitura, seja para os fãs de romance, seja para aqueles curiosos por outras épocas e formas de pensar, seja pelo sarcasmo da Jane Austen. Aliás, para ainda reticentes com o romance: ele não é nada água com açúcar, os diabéticos podem ficar tranquilos Smiley piscando

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5 comentários em “Orgulho e Preconceito, apaixonando há 200 anos

  1. Justamente, mas sabia que não me apaixonei pelo Mr Darcy…. Posso dizer que sou uma Catherine Morland e me apaixonei pelo Mr. Henry Tilney … Abadia de Northanger!
    Mas amo orgulho e preconceito, pela história, pelo contexto e pelos personagens também.

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  2. Disse tudo!!! O romance te agrada, mas não é isso que faz de ‘Orgulho e Preconceito’ um dos favoritos. É a ironia, o sarcasmo muito bem humorado… nada disso sem o bom humor é claro. E ouso dizer que até hoje a frase inicial do livro está aí ainda permeando nossas relações (tirando o fato que eles nem precisam mais ser ricos nem solteiros para achar que todas as mulheres estão a disposição XD ). Acho vários personagens de P&P imortais, porque não são datados pela época…. a gente podia encontrar eles andando aqui em 2013, isso é outro ponto. E o Mr.Darcy sua antipatia e integridade, não é agradável mas é amável…. criou foi paradigma XD

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  3. Alinde, irmazinha, como sabe me apaixonei pela Jane, principalmente pelo seu tom irônico perante a sociedade inglesa da epoca. Amo ”Orgulho e preconceito” mas a ”A Abadia De Northanger” e ”Persuasão” nao ficam atras. Sem desmerecer os outros, tá?? São ótimos. Único que falta ler é “Emma”, que lerei em breve. E foi você a responsável pela adoração que tenho pela a escritora, lembra?? Bjinhos.

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