>Xenofobia e Vargas

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Estava eu lendo os blogs que acompanho na internet quando me deparei com algo que me chocou e desagradou bastante. Acompanho tem um tempo já o Lost in Japan! (que até já foi citado aqui), um blog de um brasileiro descendente de japoneses que mora no Japão. No blog, ele mostra a cultura japonesa para além da cultura pop que chega a nós, apresentando mesmo o país para quem não vive lá. Muito bom, leio sempre.
Indo ao assunto do título deste post, essa semana o Alexandre postou, na sexta dia 18 de junho, uma homenagem aos 108 anos de imigração dos japoneses no Brasil. Mas escolheu, ao invés de mostrar o quão receptivo o Brasil foi, contar uma triste história de eugenia cometida no governo Vargas (em 1938, às vésperas da II Guerra Mundial). Vargas, nesse tempo, estava adotando uma política de eugenia racial (para “melhorar a raça”, branqueando a população brasileira), o que se refletia na política de imigração: só poderia ficar no Brasil quem tivesse plenas condições de trabalhar – especialmente se o candidato a imigrante não fosse branco. Consequencia dessa política: muitas famílias separadas no momento de embarque no Brasil, pois nem todos chegavam em condições perfeitas para trabalho – como foi contado neste post.
A história do post – um pai separado da sua mãe e da sua filha mais nova, ficando apenas com a mais velha – já é bastante triste per si. A família, separada no porto de Santos, nunca mais se reencontrou. À tristeza da história, junta-se a tristeza causada pela reação de alguns dos leitores do blog: ao invés de se solidarizarem com os sofrimentos impostos pela imigração, ficaram estarrecidos porque o dono do blog falou mal do Brasil! Sim, isso mesmo. Não se pode falar dos erros do passado, olhar criticamente para o que aconteceu: criticar é falar mal, um ato de desamor à pátria. Infelizmente o que se viu foi uma reação de apoio à xenofobia .
Família Honda, final dos anos 30 – Santo Anastácio/SP”
Como historiadora e professora, fiquei muito muito triste.Uma das funções da minha profissão é desmistificar  o passado, e o que esses ufanistas demonstraram é que alguns ainda desejam um passado mítico. O mito do Brasil acolhedor, do Brasil não racista, dentre outros mitos. Querer desmerecer esses sofrimentos é um desserviço histórico, uma ode ao miticismo. Que eu não aceito. Histórias como essas têm sim que ser contadas, analisadas. A Guerra do Paraguai, a Guerrilha do Araguaia, a História da Imigração. Tudo tem que ser estudado, se não quisermos construir um país tendo como ponto de partida uma memória completamente irreal.
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6 comentários em “>Xenofobia e Vargas

  1. >Bonito o novo template, hein dona? Onde vc arranjou?Eu vi esse blog, esse post que vc está falando… Achei extremamente chocante.Enfim… Ainda bem que temos vc, dona professora de História! :)Beijos

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  2. >Sabe…mesmo que alguns tendo atirado pedras, eu fico contente que tenho amigos leitores que souberam me entender. E vc é uma historiadora, uma pessoa que pode dar uma opinião ainda melhor sobre o tema. Porque vc tem conhecimento, sabe do que acontece e o que aconteceu.Eu tb não pensava que teria leitores assim, tão ufanistas! Pq meu blog mostra uma cultura diferente, não é a cultura brasileira. Então nem pensei que pudesse ter leitores assim rs.Quase todo mundo já esqueceu das Guerras do Paraguai, Araguaia… a ditadura, as histórias de eugenia e xenofobia. Pintam um passado epopéico, maravilhoso, só de gente boazinha e amiga. Acho que, ao conscientizarmos as pessoas hoje de erros do passado é um caminho seguro para evitar novos erros semelhantes.Muito obrigado SEMPRE por sua atenção e leitura do blog. Fico de verdade muito contente.bjs

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  3. >Eu li esse post, só não sabia que havia gerado tanta repercussão. Apesar de crer que o Brasil realmente é/foi um país bastante acolhedor eu conhecia relatos que durante a era Vargas os descendentes alemães foram perseguidos em SC. Sofrendo restrições e até mesmo violência. E essas histórias são do conhecimento de quase todo mundo aqui no estado. Nem por isso quem as contas é ofendido ou perseguido. É uma pena que coisas assim aconteçam na internet.Um abraço moça….rappyg

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  4. >DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA“As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão têm direito inalienável à Verdade, Memória, História e Justiça!” Otoniel Ajala DouradoO MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIANo município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.O CRIME DE LESA HUMANIDADEO crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOSComo o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidosA EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃOA Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEAA SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVAA “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?A COMISSÃO DA VERDADEA SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e pede que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.Paz e Solidariedade,Dr. Otoniel Ajala Dourado OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197 Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS Membro da CDAA da OAB/CE http://www.sosdireitoshumanos.org.br sosdireitoshumanos@ig.com.br http://twitter.com/REVISTASOSDH

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  5. Prezados,
    Prezados, a foto que ilustra o artigo é de nossa família e foi utilizada na internet exclusivamente para o site japao100.com.br
    Por favor gostaríamos que fosse retirada a foto ou incluída a legenda “Família Honda, final dos anos 30 – Santo Anastácio/SP”
    Obrigado

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