Construindo Victoria

Depois de quatro meses abandonada às intempéries, volto à minha casinha. Acho que tenho que mudar o nome do blog pra Casa-de-Campo da Ceinwyn, de tão pouco que visito.

Deixando a bobajada de lado, vamos ao que interessa. A resenha que vou apresentar aqui.

 

 

Imagem Primeiro vamos a como cheguei a esse livro. Eu tinha paciência para fóruns de discussão na internet, e num desses fóruns travei contato com a autora, que também andava por essas bandas internérdicas. Atualmente mais atuamos no facebook do que em fóruns. Kika_FIL gosta de escrever, e em 2012 escreveu seu primeiro livro, Kallisti, através do NaNoWriMo. Não vou resenhá-lo agora, meses depois de lido, mas recomendo. É bom, e já prepara os leitores pro talento de Clarisse: o romance histórico misturado a fantasia. Com personagens femininas fantásticas. Mas não tem como um projeto NaNoWriMo ter o acabamento de um projeto mais bem pensado, com mais calma. Não sabe do que estou falando? Ora, coloquei o link do NaNoWriMo para que saibam, é só clicar. Enfim, vamos ao “Construindo Victoria”.

O livro foi escrito ano passado e lançado na Amazon esse ano. Comprei o meu logo que disponível, e deixei pra ler depois (faço MUITO isso). Até que nessa semana a Clarisse conseguiu uma possibilidade de publicação física dele, mas no esquema do autor ajudar a editora a bancar a primeira edição, comprando alguns volumes antecipadamente. Ela fez então um projeto no Catarse para conseguir o contrato. Hoje resolvi ler e resenhar, como ajuda a ela. E não gostei tanto do livro porque ela é minha amiga. Afinal, nem somos amiiiiigas. Apenas batemos uns papos de veeeeez em quando (simpatizo com ela, mas é só). Gostei porque é bom mesmo. Foi uma grata surpresa. Como eu já disse, o Kallisti é um bom livro, mas não chegou a me encantar completamente. Não da forma como o Construindo Victoria me encantou. Vamos à sinopse:

A história tem dois grandes pontos de partida. Um no século XVIII e um em 2013. No passado, uma garota brasileira viaja para Londres visitar o irmão, e lá se apaixona perdidamente por um rapaz. A história inicia na época atual, narrada por um rapaz recém transformado em vampiro que, abandonado por seu criador, se vê incumbido de cuidar do bem estar de alguém que o mesmo não conhece.

Todavia, diversos narradores vão se intercalando, e o leitor descobre que trata-se da história de uma moça, transformada em vampira na época da Revolução Francesa que por mais de 100 anos esteve desacordada e quando acorda, tem diversos lapsos de memória. A história, narrada do ponto de vista de cada um dos personagens principais que se relacionaram ao longo do tempo com a personagem principal, se estende desde o ano de 1766 aos dias atuais onde o leitor vai descobrindo e construindo junto com a personagem principal sua história e as razões que a levaram a ficar desacordada por tanto tempo.

O resumo faz perceber a razão do título: Victoria acaba se tornando um quebra cabeças, apenas resolvido no finalzinho do livro. A história de Victoria é construída ao longo das páginas. E é o desenrolar dessa construção que encanta. O cuidado com a linguagem de cada personagem-narrador. São diversos narradores, e se sabe a época em que nasceram apenas pelas suas linguagem. Escreva-se também sobre a crônica urbana Londres-Paris-Curitiba (especialmente Curitiba, casa de Clarisse e palco das ações realizadas em 2013). A acurada pesquisa histórica, acompanhada de uma bela imaginação, que nos transporta da Curytiba do século XVIII até a Curitiba de Clarisse, passando por Londres e Paris setecentistas e também por Londres vitoriana.

A autora escreveu que pensou num mote narrativo que a permitisse viajar historicamente em seu relato, e que vampiros são ideais para isso. E como ela fez bem essa transação da Londres vitoriana para a Curitiba do século XXI! Victoria acorda em 2013, completamente aturdida com as mudanças que aconteceram em apenas um século. E os trechos em que Victoria narra seu aturdimento são fantásticos: Clarisse desnaturaliza nosso cotidiano muito bem.

Não sou grande conhecedora de histórias de vampiros, mas percebo algumas referências. Os vampiros que não gostam de matar. Os diários que constituem o “Drácula”. As disputas entre clãs. E até uma caçoada a “Crepúsculo” no meio da história (e não é a primeira caçoada em história de vampiro que leio. É a segunda em dois dias de leituras vampirescas). Além de vampiros,temos suspense, ação, romance e romance histórico. Confesso que é o último que mais me chamou a atenção, embora também goste dos outros gêneros presentes. Mas a construção histórica foi tão bem feita que já penso na releitura, assim que o Catarse do livro vingar.

 

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Um comentário em “Construindo Victoria

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